8/18/2013

Hábitos de Verão

Neste domingo de Agosto, o tempo corre devagar, o tempo quente e a moleza da praia convidam à melhor das tarefas... descansar. A volta ao trabalho ainda está distante, pelo que o pensamento segue ao sabor da corrente do oceano.

E algures entre um banho refrescante e o calor da toalha, lembrei-me de uma notícia que saiu algures no final da primeira semana do mês. O artigo remete para um tema que não deixa ninguém indiferente, urinar a meio de um banho de mar. Segundo um recente estudo, não constitui qualquer problema nem qualquer risco para a saúde humana, ou dos habitantes do mar. Ainda que a ideia cause alguma repugna.

O estudo recorre a uma hipótese absurda, a de considerar que no mesmo instante de tempo toda a população humana do planeta (cerca de 7 mil milhões) urinava no oceano. Rapidamente a urina e os seus constituintes se diluíram na água, não causando qualquer poluição. Isto também acontece, porque 80 a 90% da urina é composta por água.

Mais detalhes podem ser lidos aqui, porque é tempo de afastar o pensamento e ir refrescar-me nesta tarde quente de Agosto.

8/08/2013

Portugal - A Nova Super Potência

As lides profissionais roubaram-me o tempo necessário para arquivar neste pequeno espaço virtual um recente vídeo que surgiu na internet.

O Marco Neiva decidiu lançar-se num projecto ambicioso, e assim inscrever Portugal na lista das super potências mundiais. Entenda-se, que para efeitos deste contexto, se admite que um país denominado de super potência é aquele que se lança na corrida espacial. É do conhecimento geral os feitos dos Estados Unidos da América e da Rússia. Porém, a China, Japão e Índia também já vão dando umas cartas. Até a Coreia do Norte lança por lá uns satélites (ainda que por vezes a coisa corra mal).

Contudo, Portugal, através do Marco Neiva, decidiu inovar e ser simplista. E se levássemos um Galo de Barcelos (esse ícone dos souvenirs portugueses) ao espaço (leia-se estratosfera)? Assim se pensou e assim subiu o "bicho" ás alturas, munido de câmaras GoPro para registar o momento para a posteridade. E ao que parece a coisa correu bem, pois aterrou são e salvo. Ainda que tenha caído em terras espanholas, facto que poderia causar algum incidente diplomático ou melindrar os nossos vizinhos por não andarem nestas lides espaciais. 

Posto isto, fica então o vídeo.

7/31/2013

Ao Pôr do Sol...

Ao Pôr do Sol oiço os pardais nas dunas, sinto o vento a massajar-me a face, cheiro o ar salgado do mar, vejo o barco a afastar-se... 

Ficou o silêncio, e oiço-o cada vez mais alto, apenas interrompido aqui e ali de forma síncrona pelo rebentar da pequena onda. O mar tem destas coisas, gosta de ser olhado, quer ser ouvido...

Ao fundo o barco continua a afastar-se, ao mesmo tempo que dentro de mim cresce a Paz, uma paz cristalina, límpida, como a água do oceano que tenho em frente.

Atrás de mim o Sol esconde-se, também ele vai embora ao som dos pardais das dunas. Eu fico, fico envolvido no sossego, fico a misturar-me com a areia, que de tão dourada parece ouro.

Estou tranquilo... Amanhã quer o Sol quer o barco voltarão, com a brisa matinal.

Caminho, ao som dos meus pensamentos, despedindo-me dos que rasgam o horizonte.

Até Amanhã.

Ilha de Porto Santo, Madeira, Portugal
Fotografia tirada por mim em Julho 2013, e publicada no Instagram.

3/29/2013

Liberdade

A Liberdade é um conceito que tem diversas definições. Pessoas como Descartes, Leibniz, Sartre, Marx, entre muitos outros perderam-se a escrever sobre este tema evidenciando o seu ponto de vista.

Eu nasci em Liberdade, faço parte da geração que nasceu nos anos seguintes à Revolução que colocou fim à ditadura. Cresci a ver o país renascer, a entrar na União Europeia, a desenvolver-se para recuperar o atraso e o afastamento que o regime Fascista tinha-nos provocado. Eu não sei o que é viver numa Ditadura. Não sei o que é não poder estar no meio da rua a falar com amigos. Não sei o que é não poder expressar as minhas ideias e pontos de vista livremente. Não sei o que é não ter acesso a informação.

Antes da Revolução, o país era composto por três tipos de grupos. Os que estavam de acordo com o regime, os que eram contra ele (e por isso perseguidos pelo primeiro grupo), e os neutros. Os neutros acabavam por ser a maioria, é aquele grupo de pessoas que preferiu ignorar a política, e viver de acordo com as regras impostas, mantendo-se assim em segurança e longe de confusões. Eu nasci numa família neutra, apesar de ter conhecido muitos do grupo que lutaram para que a Revolução fosse possível.

Dos tempos antes do 25 de Abril de 1974, apenas sei História e estórias. O meu avô, um neutro, costuma contar um episódio que demonstra bem o clima vivido na época. Episódio esse que vos exponho de seguida.

O meu avô trabalhava numa fábrica de enchidos, que naquela época se situava lá para a zona do Rato, em Lisboa. Como vivia na margem sul do Tejo, todos os dias lá se fazia o ritual de atravessar o rio de Cacilheiro, e percorrer o Terreiro do Paço para apanhar o Eléctrico. E ao final do dia o ritual repetia-se no caminho inverso.

Naquele final de tarde, vinha ele no Eléctrico. A viagem foi na cavaqueira, com o guarda freio, companheiro de infância e juventude, nascidos na mesma região do país, faziam agora a sua vida por Lisboa. Chegados ao Terreiro do Paço, e Eléctrico imobilizado, o guarda freio repara que no chão à frente do veículo está uma nota de 5 escudos (não estou bem recordado do valor da nota), e vira-se para o seu amigo e diz: "Olha ali uma nota de 5 escudos? Não a queres?". O meu avô, moldado pelo medo do Regime, optou por dizer "Eu não a quero, se quiseres apanha-a tu". E assim foi, sai do Eléctrico e apanha a nota. E no mesmo momento é abordado por dois indivíduos que lhe perguntam "o que é que você tem aí na mão?". Prontamente, responde "É uma nota de 5 escudos não vê?". Ao que parece na época a nota tinha uns tons avermelhados, e a resposta de quem abordou foi: "Não, você têm aí outra coisa. Vai ter de nos acompanhar." E assim, o guarda freio não voltou a entrar no Eléctrico, nem voltou mais a ser visto. Os indivíduos faziam parte da PIDE, a polícia política responsável por manter o regime. E o tom vermelho da nota, era o mote para dizer que se tratava de propaganda contra o regime, propaganda Comunista.

Não sei mesmo o que é viver assim, mas sei que não conseguiria. E apesar desta crise, desta governação onde o dinheiro é mais importante que as pessoas, onde certas individualidades e empresas valem mais que as pessoas, sei que ainda gozamos de Liberdade para falar, escrever, pensar, manifestar, etc. E isto é aquilo que não podemos perder, porque muitos se sacrificaram para que hoje possamos usufruir destes pequenos gestos de forma natural.

O texto já vai longo, mas esta reflexão veio-me ontem à memória enquanto via o filme "O Comboio Nocturno para Lisboa" (título original Night Train to Lisbon) de Bille August. A história é uma viagem ao Portugal da Ditadura, à amizade, ao amor, e à luta por alcançar a Liberdade. Este pensamento que hoje, aqui escrevo, surgiu numa cena peculiar. Dois amigos, jovens estudantes, encontram na biblioteca da sua escola, umas tábuas soltas no chão. Estas escondem livros de Karl Marx, e de outros filósofos. Livros proibidos pelo Regime, dado o seu conteúdo poder abrir mentes, fazer pensar, e fazer crer uma outra realidade além daquela que era oferecida.